Press News – Berna Reale | VOGUE Brasil 03/05/2015 |

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Berna Reale, VOGUE Brasil 03/05/2015

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VOGUE Brasil 03/05/2015

 

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Irrupção pela disrupção – sobre o modo de trabalho de Berna Reale (Caroline Carrion)

“Irrupção pela disrupção – sobre o modo de trabalho de Berna Reale Caroline Carrion
As primeiras performances de Berna Reale a ocuparem o espaço público, Quando todos calam (2009) e Entretantos Améns (2010), carregam consigo a força da imobilidade, a resistência necessária à persistência da mesma relação entre o espaço e o corpo ao longo de um determinado período de tempo. Especialmente em Quando todos calam, em que Berna entrega-se nua e coberta de vísceras aos urubus, o corpo resiste às intempéries e às contingências da natureza por demais indiferente em seu poder para se importar com a sua fragilidade de gente. A matéria humana persiste, em sua fraqueza e efemeridade, face à grandiosidade do mundo e, principalmente, face aos horrores que motivaram tais performances, a barbárie oculta por detrás da civilização.

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Desde 2011, porém, toma lugar uma alteração essencial à dinâmica das performances dessa artista: suas ações passam a assumir a forma do movimento. Mais do que isso, os trabalhos configuram-se, desde então, como marchas, procissões, um caminhar pleno de significados, um mover-se que vai além do deslocamento, cujas razões parecem ter menos a ver com o ponto onde se deseja chegar do que com o ato em si.
Pode se considerar que há um aspecto técnico a contribuir com essa mudança de paradigma: as performances realizadas a partir de 2011 foram registradas em vídeo, em contraposição aos trabalhos anteriores, cuja memória chega a nós pela fotografia. Essa mídia continua presente no trabalho de rua da artista, mas relegada a segundo lugar, à posição de uma narrativa alternativa à principal. Não é fato, porém, que na arte contemporânea o vídeo exija movimento – são inúmeros os artistas que se apropriam dessa mídia das maneiras as mais diversas, muitas vezes criando obras que se aproximam da suspensão temporal e imobilidade. Se as performances passaram a configurar-se como marcha e deslocamento, então, é válido crer que não foi por exigência técnica da linguagem videográfica, e sim pela superação da restrição à condensação instantânea a que a artista estava presa na fotografia.

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A partir de 2011 temos, portanto, movimento. Isso não significa, porém, que tenhamos narrativa, no sentido convencional do termo, ou seja, fatos em progressão, geralmente concatenados por relações de causalidade. Como observado por Rudolf Schmitz à época da exposição Vapor, os vídeos de Berna Reale operam por repetição e saturação. Vamos além: numa república concebida com base no positivismo francês, cujo lema comtiano inspira a bandeira nacional, é significante a ruptura com um tempo horizontal, o do desenrolar dos fatos, em prol de um tempo verticalizado, não progressivo, que opera pela lógica do acúmulo, pela sedimentação de estímulos.
Em uma cultura cujo inconsciente coletivo está marcado pela ideia de progresso, o que acontece quando a sequência, o desenrolar temporal, dá lugar ao que já estava presente? O que acontece quando, nesse transcorrer de (f)atos no tempo, que chamamos de sucessivo, nada se sucede? O que realmente significa quando apenas aquilo que já estava antes permanece, e sua existência em outro momento temporal não basta para configurar um novo estado do ser? Forçosamente o que temos é simplesmente o mesmo.

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A marcha, que presumimos por força de hábito inconsciente um caminhar rumo a algo, a um telos às vezes esquecido mas de alguma forma presente, transformase, neste caso, em representação ambígua e capciosa da imobilidade. Esse caminhar, que podemos preencher de significados políticos ou religiosos, revelase permanecer. Se as performances de Berna Reale sempre se dão ao redor de
temas polêmicos e problemáticos para a sociedade brasileira contemporânea, sua peculiar estrutura narrativa por saturação é reveladora, também, da relação histórica de permanência que temos com tais questões, que não são nada além dos nosso graves e vulgares problemas de sempre, insolúveis e incômodos.
No binômio espaço-tempo, é comum que seja no tempo em que repousa a esperança – esta é, afinal, uma categoria temporal, já que associada ao futuro. Na obra de Berna Reale, no entanto, o tempo achatado, cujo único destino é a saturação, é privado de seu potencial redentor; se há redenção existente, ela deve, por exclusão, repousar sobre o espaço. E é justamente no espaço público que reside a capacidade transformadora do trabalho.
Antes de existir em galerias e museus, antes de integrar o circuito institucionalizado das artes, as performances de Berna Reale ocupam esse espaço simultaneamente real e indeterminado que por convenção chamamos de público. É verdade que suas obras são extremamente elaboradas e contam com a autorização de todos os meios oficiais, inclusive daqueles que critica – como no caso de Palomo, em que a Polícia Militar não apenas guardou as ruas ou emprestou seu uniforme, mas também cedeu seu melhor cavalo, o mesmo Palomo que intitula o trabalho, e auxiliou a tingir seus pelos de vermelho. No entanto, salvo por aqueles poucos envolvidos na concepção dos trabalhos, suas performances configuram-se como uma surpresa, um elemento que retira da malha da realidade aqueles que as observam.

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Um policial, de uniforme completo e focinheira, cavalgando lentamente um impossível cavalo vermelho; alguém dançando um clássico hollywoodiano, vestindo um terno dourado e uma máscara de gás da mesma cor, sobre um tapete também vermelho em meio a um lixão; cinquenta e uma mulheres de rosa marchando com bocas de boneca inflável ao ritmo de uma banda militar; uma figura andrógena de verde e amarelo conduzindo uma gôndola com quinhentos ratos pelos esgotos de Belém. A artista transfigura-se em diversos personagens para trazer suas performances à realidade, conferindo ao mundo de todo dia um caráter onírico, transformando-o em um sonho limítrofe ou um pesadelo do qual mesmo que queiramos não conseguimos acordar. Para os espectadores que se tornam personagens ao presenciar essas ações em primeira mão nas ruas, e também para os que as veem em espaços expositivos, as obras de Berna Reale parecem ter o dom de retirar seu observador do real, transportá-lo para o universo da fantasia. Adentrar esse universo significa, porém, imediatamente ser expulso de volta à realidade, agora ressignificada: basta o espectador entregar-se à magia da ficção para perceber o mundo que se esconde por trás da arte, para absorver a imagem da barbárie como alegoria da civilização.
Com suas performances, suas imagens misteriosas, marchas oníricas rumo a lugar nenhum senão o mesmo, Berna Reale cria uma disrupção da realidade, apenas para permitir que, dela, essa mesma realidade irrompa com mais força do que antes. A presença se reafirma pela ruptura, mais potente do que nunca – o que significa, também, que sua crítica nunca foi mais anecessária.  ”

(Caroline Carrion)

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Berna Reale: entrevista exclusiva para Follow Arterial

Berna Reale: entrevista exclusiva para http://www.followarterial.com/

 

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Press News – Berna Reale | Estadão De S.Paulo 28/04/2015 |

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Eccoci! 28/04/2015 Estadão De S.Paulo, Caderno 2 (Cultura) Link: Estadão De S.Paulo Online  

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Berna Reale premiada!

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Em cerimônia realizada o 24/04/2015 no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (São Paulo, Brasil), Berna Reale foi anunciada como uma das artistas vencerdora da 5ª edição do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas.

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Lógica Política de Sonho: Os Vídeos de Performance de Berna Reale (Rudolf Schmitz)

São visões, ou melhor, talvez, pesadelos, com os quais Berna Reale nos confronta. Cavalgando em um cavalo vermelho, de uniforme preto com focinheira na cara, atravessando uma cidade na alvorada. Nua, atada a uma barra, carregada por homens vestidos de branco, com máscaras hospitalares, alertando sobre o perigo de contaminação. Exaurida, atravessando as ruas de piçarra de um bairro da periferia com um carrinho de mão cheio de ossos e de caveiras. Como uma gondoleira, remando uma canoa preta, através de um canal de esgoto, repleta de ratinhos brancos. Não há como fugir de tais situações, tudo parece ser circular, parece voltar sempre ao início. Nenhuma solução, nenhuma salvação, a catástrofe já aconteceu, a fatalidade não pode ser detida.

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Não é por acaso que tais imagens de performance lembram o fatalismo que é o pano de fundo das teses histórico-filosóficas do filósofo alemão Walter Benjamin. Partindo de um desenho em nanquim de Paul Klee de título Angelus novus, ele fala do Anjo da História que se vê diante uma única catástrofe, escombros sobre escombros. Mas não pode intervir e salvar, pois uma tempestade vinda do paraíso atrapalhou-se em suas asas. “Essa tempestade lhe conduz sem cessar ao futuro, que está atrás de suas costas, enquanto os escombros, diante dele, crescem para o céu. Isso que chamamos progresso é essa tempestade”.

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Walter Benjamin transformou  a sensação de impotência que se experimenta em muitos sonhos, ou seja, um elemento da lógica dos sonhos, em uma característica das reflexões sobre a história. Berna Reale, que se entende como artista política, propaga alegorias em seus vídeos que correspondem à tal lógica de sonhos. Imagens e acontecimentos se referem às realidades sociais do Brasil – corrupção, arbitrariedade policial, destruição ambiental, criminalidade, violência contra mulheres –sobra, porém, um resto que não se explica. A artista é a protagonista de seus vídeos, ela “vende sua própria pele”, como se diria em alemão. Atua, com o rosto inerte, como se não percebesse seu entorno, como se estivesse além do bem e do mal. Quando ela, vestida de coveiro com roupa preta, juntando os ossos e caveiras de vítimas anônimas de assassinatos e levando-os a um lugar que somente ela conhece, ela atua com tanto estoicismo quanto se fosse uma mensageira do Juízo Final.
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Os vídeos mais recentes de Berna Reale diferem dessa dramaturgia de auto-representação, como figura alegórica. Embora a artista comande as meninas com suas saias plissadas cor pink e suas blusas brancas, ao mesmo tempo não deixa de se multiplicar, virando parte idêntica de um coletivo.  A boca de boneca de sexo, que todas as atrizes usam, transforma essa manifestação contra a violência sexual em um grito mudo. Ou então Berna Reale se apresenta, quase irreconhecível, atrás da máscara de gás, como uma bailarina sobre o lixão da história, incansável e muito sensível. Não é só novidade a presença de uma canção, Singing in the Rain, mas também de humor, ironia, sarcasmo. Quem sabe, somente dessa maneira os espectadores podem admitir os fatos que formam o cenário: a sociedade de consumo e desperdício, que não deixa outra coisa aos miseráveis que não seja lixo.
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Quando essas visões-pesadelos aparecem, agora nas paredes de casas de Veneza, a realidade brasileira ganha uma presença assombrosa. Embora essas imagens tenham um contexto específico, uma origem inconfundível, não são intransferíveis. Isso se deve à mencionada lógica de sonho, que transforma esses vídeos em ameaças de catástrofes iminentes; mas, ao mesmo tempo, essas visões são performances políticas, porque se alimentam da proximidade imediata à realidade. Sempre há testemunhas que assistem a esses mascarados e a essas procissões alegóricas: pessoas que saem de seus barracos para ver passar a regente severa de fantasia azul, em cima de sua biga macabra; pessoas nas ruas de Belém vislumbram, consternados ou surpreendidos, que por um momento é levada, diante de seus olhos, uma mulher nua e atada. E esse testemunho transforma as performances de Berna Reale em uma realidade coletiva e confirmada. É por seu caráter performático que esses vídeos funcionam. Apesar de toda a solidão que rodeia a atriz, ela é alguém que se expõe à multidão e se manifesta. Isso dá um efeito impetuoso, sacral e firme. São vivenciadas procissões em lugares profanos. E falando do resto que não se explica: talvez se possa qualificar esse resto como um
reflexo disso que, muitas vezes quando se descreve a realidade latino-americana, chama-se magia.

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Logica Politica del Sogno: I Video delle Performance di Berna Reale (Rudolf Schmitz)

Sono visioni, o meglio, forse incubi, quelli con cui Berna Reale ci mette a confronto. In sella a un cavallo rosso, in divisa nera con la museruola sulla faccia, mentre attraversa una città all’alba. Nuda, legata a una sbarra, trasportata da uomini vestiti di bianco, con mascherine protettive che ci ricordano il pericolo di contaminazione. Esaurita, attraversa una strada di ghiaia di un quartiere della periferia con una carriola piena di ossa e teschi. Come una gondoliera rema su una canoa nera, in una fogna a cielo aperto, piena di topini bianchi. Non c’è modo di sottrarsi a tali situazioni, tutto sembra essere circolare, tutto sembra tornare sempre all’inizio. Nessuna soluzione, nessuna salvezza, la catastrofe è già avvenuta, la fatalità non può essere elusa.

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Non è casuale che queste immagini di performance ricordino il fatalismo che costituisce lo scenario delle tesi storico-filosofiche del filosofo tedesco Walter Benjamin. Ispirandosi a un disegno a china di Paul Klee intitolato Angelus novus, Benjamin parla dell’Angelo della Storia che vede davanti a sé un’unica catastrofe, rovine su rovine. Ma non può intervenire e salvare perché una tempesta venuta dal paradiso si è abbattuta sulle sue ali. “Questa tempesta lo porta incessantemente verso il futuro, che è alle sue spalle, mentre le rovine, davanti a lui, crescono in direzione del cielo. Ciò che chiamiamo progresso è questa tempesta”.

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Walter Benjamin ha trasformato la sensazione di impotenza che si prova in molti sogni, cioè un elemento della logica dei sogni, in una caratteristica della riflessione sulla storia. Berna Reale, che si considera un’artista politica, diffonde nei suoi video allegorie che corrispondono a questa logica dei sogni. Immagini e avvenimenti si riferiscono alle realtà sociali del Brasile – corruzione, arbitrarietà della polizia, distruzione ambientale, criminalità, violenza contro le donne – rimane, però, un resto che non si spiega. L’artista è la protagonista dei suoi video; come si direbbe in tedesco, “mette a rischio la propria pelle”. Interpreta il suo ruolo con il viso inerte, come se non vedesse nulla attorno a sé, come se si trovasse al di lá del bene e del male. Quando, vestita da becchino, di nero, riunisce le ossa e i teschi di vittime anonime di omicidi per portarli in un luogo che solo lei conosce, agisce con lo stoicismo di un messaggero del Giudizio Universale.
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I video più recenti di Berna Reale differiscono da questa drammaturgia di autorappresentazione come figura allegorica. Anche se comanda le bambine con le loro gonne plissettate rosa shocking e camicette bianche, l’artista si moltiplica e diventa parte identica di un collettivo. La bocca da bambola gonfiabile che tutte le attrici usano trasforma questa manifestazione contro la violenza sessuale in un grido muto. Oppure Berna Reale si presenta, quasi irriconoscibile, dietro la maschera antigas, come una ballerina sull’immondezzaio della storia, instancabile e sorridente. La presenza di una canzone, Singing in the Rain, non è semplicemente una novità, ma anche umorismo, ironia, sarcasmo. Forse solo in questo modo gli spettatori riescono ad ammettere i fatti che formano lo scenario: la società di consumo e sperpero, che non lascia ai miserabili altro che rifiuti.
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Quando queste visioni-incubi sorgono, ora sui muri di case di Venezia, la realtà brasiliana assume una presenza spettrale. Sebbene appartengano a un contesto specifico, abbiano un’origine inconfondibile, queste immagini non sono intrasferibili. Ciò si deve alla già citata logica del sogno che trasforma questi video in minacce di catastrofi imminenti; ma, allo stesso tempo, queste visioni sono performance politiche perché si alimentano della vicinanza immediata alla realtà. Ci sono sempre testimoni che osservano queste maschere e processioni allegoriche: persone che escono dai loro tuguri per veder passare la direttrice di orchestra severa, con la sua maschera azzurra, su una biga macabra; persone che, nelle strade di Belém, scorgono, costernati e sorpresi, una donna nuda e legata che, per un momento, è condotta davanti ai loro occhi. E questa testimonianza trasforma le performance di Berna Reale in una realtà collettiva e confermata. E questi video funzionano proprio grazie al loro carattere performatico. Nonostante tutta la solitudine che la circonda, l’attrice è qualcuno che si espone alla folla e si manifesta. Questo produce un effetto impetuoso, sacro e duraturo. Si partecipa a processioni in luoghi profani. E a proposito del resto che non si spiega: forse si potrebbe definire questo resto come un riflesso di quello che, quando si descrive la realtà latinoamericana, è spesso chiamato magia.

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